CONAB - Conjunturas da agropecuária - 02 a 06/11/20

MERCADO EXTERNO

A produção de café arábica da Colômbia ficou 1,159 milhão de sacas de 60 quilos, queda de 15% em outubro, em comparação com 1,369 milhão de sacas no mesmo mês de 2019, segundo a Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia (FNC) em comunicado de imprensa. No ano (janeiro a outubro de 2020), a produção de café colombiano ficou em 10,704 milhões de sacas, 7% abaixo do mesmo período de 2019, que somou 11,566 milhões de sacas.

Na bolsa de Mercadorias de Nova Iorque (ICE), houve aumento na cotação durante a semana, devido à melhora na economia mundial e à perspectiva de uma mudança de comando nos EUA, o que poderia aumentar o fluxo global de mercadorias com um presidente menos protecionista.

Já o Vietnã, maior produtor de café robusta, continua sofrendo com as chuvas, que não permitem a colheita e, se continuarem por mais tempo, podem afetar a qualidade e a quantidade dos grãos. Segundo as previsões, as chuvas deverão durar, pelo menos, mais uma semana.

Nesse cenário, a cotação futura do café robusta segue trajetória de alta na bolsa de Londres, devido à baixa oferta desse tipo de grão conforme explicado no parágrafo anterior e dos motivos políticos citados para o café arábica.

Outro fator importante para o aumento dos preços futuros é a previsão da agência americana NOAA, que indicou que o fenômeno La Niña atual pode ser bastante forte, como o ocorrido em 2007.

MERCADO INTERNO

Segundo o Itaú BBA, a produção de café deve ficar entre 14 e 21% abaixo no Brasil devido aos efeitos da seca, pois mesmo com as recentes chuvas, o volume foi pequeno e oestrago já estava feito devido ao longo período de estiagem em Minas Gerais.

A volatilidade dos últimos dias trouxe cautela ao mercado, que tenta entender o que está acontecendo. Apesar dos ganhos do café arábica em NY, a queda do dólar neutralizou essa valorização para exportação.

O conilon seguiu o arábica e também subiu. Na semana, porém, ganhou em comparação com o arábica, reduzindo a relação entre os dois. O mercado apresentou poucos negócios e pouca quantidade, talvez esperando notícias sobre a produção vietnamita, que poderia colocar os preços em um patamar mais elevado se as chuvas prosseguirem.

Os embarques de outubro foram de 2.776.632 sacas de café arábica, 461.423 sacas de café conillon e 274.829 sacas de café solúvel, totalizando 3.512.884 sacas, contra 3.505.311 sacas em setembro. Os pedidos de emissão de certificados de origem, no entanto, foram superiores aos do mês anterior.

Já o mês de novembro começou bem aquecido para exportação, com valores quase 50% superiores aos vistos na primeira semana de outubro.

DÓLAR

Com a diminuição das incertezas (pelo menos por essa semana) acerca da eleição americana e a divisão que ficou entre os dois partidos, o que pode bloquear futuros aumentos de impostos, o dólar caiu 5,93% na semana, cotado a R$5,39.

Isso acabou fazendo com que os preços do café acabassem não subindo para o produtor.

DESTAQUE DO ANALISTA

O dólar deverá ser altamente volátil nesse semana, assim como foi semana passada e deve comandar as variações para o preço que o produtor irá receber.

Também as perdas com a seca deverão começar a se tornar mais conhecidos e, assim, precificados mais corretamente.

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