Boletim Carvalhaes N°20 de 15/05/2020

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Santos, 15 de maio de 2.020 – ano 87 – número 20.

O agravamento da pandemia de covid-19 no Brasil – ultrapassamos os 14 mil mortos em um quadro de aceleração do número de novos contaminados – traz ainda mais instabilidade ao quadro político do país e aumenta os problemas na já combalida economia brasileira. Nesse quadro o dólar continuou sua escalada frente ao real, chegou a bater ontem em R$ 5,97, e encerrou hoje valendo R$ 5,8380. Subiu mais 2 % esta semana (na semana passada já havia subido 6%).

No mercado de café, a divulgação, pelo CECAFÉ – Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, no dia 12, das exportações brasileiras no último mês de abril – exportamos em abril 3,35 milhões de sacas, totalizando 13,3 milhões de sacas nos primeiros quatro meses de 2020 – trouxe uma boa surpresa. Um resultado superior ao esperado pelos operadores, confirmando, em plena entressafra, que continua forte a demanda pelos cafés produzidos no Brasil. Em meio a mais séria
pandemia dos últimos cem anos, também atesta a rápida adaptação de todos os elos da cadeia produtora brasileira aos protocolos estabelecidos para trabalharmos com mais segurança nesse cenário novo e desafiador.
Confirma ainda que o consumo mundial de café continua forte, estimulando os traders ao redor do mundo a manterem o ritmo de suas compras. No Brasil, chegam informações de todas as regiões produtoras sobre o esvaziamento dos armazéns para conseguirmos cumprir os embarques contratados e abastecermos o forte consumo interno. O pouco café que ainda resta nos armazéns será usado para abastecer neste mês de maio e em junho nossas indústrias e exportadoras, que também terão de
lançar mão dos primeiros lotes da nova safra 2020/2021 para completar o volume necessário de café para uso nestes dois últimos meses do ano-safra que se encerra.

Apesar do cenário atual de pandemia, o Brasil registrou crescimento nos embarques para os seus principais mercados compradores, Europa e EUA, que representam juntos 77,5% das exportações. Também ampliou suas vendas de café com cinco novos destinos, República Democrática do Congo, Macau, Maurício, Ruanda e Uganda.

O Porto de Santos foi responsável por 82,5% dos embarques brasileiros de café neste ano, com 82,5% de participação, que representam 11 milhões de sacas embarcadas. Os dois portos do Rio de Janeiro ficam com o segundo lugar, com 11,3% de participação e 1,5 milhão de sacas embarcadas por eles.

O mercado físico brasileiro apresentou-se estável por toda a semana, praticamente sem vendedores nas cotações oferecidas pelos compradores. As incertezas com a crise mundial na saúde e na economia, agravada no Brasil por uma crise política, e também o avanço da colheita da nova safra de café, tem deixado os operadores mais cautelosos. Os diferenciais de
venda para o exterior foram alargados e os compradores no Brasil estão mais cautelosos.

Foram poucos os negócios fechados. Os cafés de médios a fracos são menos procurados, começam a sofrer com a chegada dos primeiros lotes de conilon da nova safra 2020/2021 ao mercado. Cafés finos a extra-finos e CDs, bastante raros neste final de ano safra, são procurados e disputados.
Os primeiros lotes de arábica da nova safra 2020/2021 estão chegando ao mercado. Mostram um porcentual alto de grãos verdes devido a um início de colheita precipitado. A colheita da nova safra de arábica está pegando ritmo. Ontem e hoje recebemos relatos de chuvas leves em diversas regiões produtoras do sudeste.

O CECAFÉ – Conselho dos Exportadores de Café do Brasil informou que no último mês de abril foram embarcadas 3.348.601 sacas de 60 kg de café, aproximadamente 13 % (372.544 sacas) mais que no mesmo mês de 2019 e 4 % (139.244 sacas) menos que no último mês de março. Foram 2.676.426 sacas de café arábica e 313.145 sacas de café conilon, totalizando 2.989.571 sacas de café verde, que somadas a 357.278 sacas de solúvel e 1.752 sacas de torrado, totalizaram 3.348.601 sacas exportadas em abril último.

Até dia 14 os embarques de abril estavam em 380.600 sacas de café arábica, 52.704 sacas de café conilon, mais 26.168 sacas de café solúvel, totalizando 459.472 sacas embarcadas, contra 204.679 sacas no mesmo dia de março.

Até o mesmo dia 14, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em maio totalizavam 1.488.616 sacas, contra 1.099.526 sacas no mesmo dia do mês anterior.

A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 8 sexta-feira, até o fechamento de hoje, dia 15, caiu nos contratos para entrega em julho próximo 480 pontos ou US$ 6,35 (R$37,07) por saca. Em reais, as cotações para entrega em julho próximo na ICE fecharam no dia 8 a R$ 847,89 por saca, e hoje dia 15 a R$ 825,15. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega em julho a bolsa de Nova Iorque fechou com alta de 15 pontos. No mercado estável de hoje, são as seguintes cotações nominais por saca, para os cafés verdes, do tipo 6 para melhor, safra 2019/2020, condição porta de armazém:

  • R$650/700,00 – CEREJA DESCASCADO – (CD), BEM PREPARADO.
  • R$610/640,00 – FINOS A EXTRA FINOS – MOGIANA E MINAS.
  • R$570/590,00 – BOA QUALIDADE – DUROS, BEM PREPARADOS.
  • R$480/500,00 – DUROS COM XÍCARAS MAIS FRACAS.
  • R$450/480,00 – RIADOS.
  • R$400/420,00 – RIO.
  • R$410/420,00 – P.BATIDA P/O CONSUMO INT.: DURA.
  • R$400/410,00 – P.BATIDA P/O CONSUMO INT.: RIADAS.
  • DÓLAR COMERCIAL DE SEXTA-FEIRA: R$ 5,8380 PARA COMPRA.
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