Boletim Carvalhaes N°25 de 19/06/2020

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Santos, 19 de junho de 2.020 – ano 87 – número 25.

A semana foi marcada por muita volatilidade no mercado cambial e nos contratos de café em Nova Iorque, e por calmaria para os negócios no mercado físico.

O dólar oscilou bastante frente ao real, fechou em alta forte todos os dias, à exceção de hoje quando recuou 0,99%.

Abriu a semana valendo R$ 5,0420 e fechou hoje a R$ 5,3170. Subiu 5%. A alta do dólar foi influenciada pela onda de incertezas que se instalou no hemisfério norte com o temor de uma segunda onda da covid-19, levando muitos capitais a procurarem refúgio na moeda americana. Aqui no Brasil a insegurança política cresceu bastante ao longo da semana e contribuiu com a desvalorização do real.

Os contratos de café na ICE Futures US em Nova Iorque só fecharam em alta na quarta-feira, nas demais sessões fecharam em queda. Terça-feira fecharam no menor nível em oito meses. Na semana, os contratos com vencimento em setembro próximo recuaram 110 pontos. Com a forte alta do dólar, em reais por saca esses contratos subiram na semana.

Fecharam na sexta-feira passada valendo R$ 646,95 e hoje R$ 674,50.
O mercado físico brasileiro mostrou-se comprador. Com a alta do dólar no decorrer da semana os preços subiram um pouco e foram fechados alguns negócios. As bases de preços oferecidas nas últimas semanas pelos compradores continuam não entusiasmando os produtores que ainda tem lotes da atual safra 2019/2020. No entanto, o avanço dos trabalhos de colheita da nova safra esta levando os poucos cafeicultores que ainda possuem lotes remanescentes a venderem o final de sua produção 2019/2020.

Com o recuo das cotações nas últimas semanas, os produtores, em sua grande maioria, estão com as atenções voltadas para os trabalhos de colheita e benefício da nova safra. Boa parte desses primeiros cafés 2020/2021 já está vendida. Foram negociados meses atrás, a preços bem mais altos do que os atuais, para serem entregues entre julho e outubro próximos.

Para programarem as novas vendas, os cafeicultores terão a disposição o dinheiro do FUNCAFÉ – Fundo de Defesa da Economia Cafeeira, que terá juros menores a partir de primeiro de julho. Além disso, foi anunciado esta semana o novo Plano Safra 2020/2021 que contará com o montante recorde de R$ 236,3 bilhões em crédito para o agronegócio brasileiro na próxima temporada, que terá início em 1º de julho. Produtores rurais terão volume 6% maior para financiamentos subsidiados e com taxas livres — alimentados principalmente pelas Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) —, mas a redução dos juros foi mais tímida do que o esperado.

Outro ponto a ser analisado, é que com o recuo da taxa básica de juros da economia, a Selic, para 2,25% ao ano, o rendimento nominal da renda fixa cai e tenderá a proporcionar juro real negativo, abaixo da inflação. A perspectiva de inflação baixa e juros negativos por bom tempo pode levar os cafeicultores a deixarem sua renda guardada em sacas de café, vendendo aos poucos, apenas para cumprir seus compromissos mais próximos. Os estoques remanescentes da atual safra 2019/2020 estão
próximos de zero e o que restar da nova safra 2020/2021 no final de junho de 2021 será necessário para complementar os compromissos brasileiros em 2021/2022 quando teremos uma safra de ciclo baixo.

A “Green Coffee Association” divulgou que os estoques americanos de café verde totalizaram 6.818.120 em 31 de maio de 2020. Uma alta de 300.253 sacas em relação às 6.517.867 sacas existentes em 30 de abril de 2020.
Até dia, 18 os embarques de junho estavam em 574.746 sacas de café arábica, 228.131 sacas de café conillon, mais 44.950 sacas de café solúvel, totalizando 847.827 sacas embarcadas, contra 1.169.760 sacas no mesmo dia de maio. Até o mesmo dia 18, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em junho totalizavam 1.716.189 sacas, contra
2.091.813 sacas no mesmo dia do mês anterior.

A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 12 sexta-feira, até o fechamento de hoje, dia 19, caiu nos contratos para entrega em setembro próximo 110 pontos ou US$ 1,45 (R$ 7,74) por saca. Em reais, as cotações para entrega em setembro próximo na ICE fecharam no dia 12 a R$ 646,95 por saca, e hoje dia 19 a R$ 674,50. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega em setembro a bolsa de Nova Iorque fechou com baixa de 110 pontos. No mercado calmo de hoje, são as seguintes cotações nominais por saca, para os cafés verdes, do tipo 6 para melhor, safra 2019/2020, condição porta de armazém:

  • R$540/570,00 – CEREJA DESCASCADO – (CD), BEM PREPARADO.
  • R$490/520,00 – FINOS A EXTRA FINOS – MOGIANA E MINAS.
  • R$450/480,00 – BOA QUALIDADE – DUROS, BEM PREPARADOS.
  • R$430/440,00 – DUROS COM XÍCARAS MAIS FRACAS.
  • R$410/430,00 – RIADOS.
  • R$370/390,00 – RIO.
  • R$400/410,00 – P.BATIDA P/O CONSUMO INT.: DURA.
  • R$390/400,00 – P.BATIDA P/O CONSUMO INT.: RIADAS.
  • DÓLAR COMERCIAL DE SEXTA-FEIRA: R$ 5,3170 PARA COMPRA.
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