Boletim Carvalhaes N°39 de 25/09/2020

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Santos, 25 de setembro de 2.020 – ano 87 – número 39.

As chuvas que caíram, a partir do final da semana passada, sobre grande parte dos cafezais brasileiros já cessaram e ficaram bem abaixo do mínimo necessário para amainar o déficit hídrico. A estiagem no café em 2020 é uma das mais severas dos últimos anos e certamente já trouxe perdas para a safra brasileira de café do próximo ano, que naturalmente, devido à
bianualidade de nossa produção de arábica, já será menor do que a deste ano.

Nossas regiões produtoras, que já vinham acumulando déficit hidrico há meses, receberam em média apenas 30% do volume de chuvas esperado para este mês de setembro. Novas precipitações só são previstas a partir da segunda semana de outubro. O tempo quente e seco já está novamente presente sobre o sudeste brasileiro.

Além da estiagem, nossos cafezais, bastante desgastados, como é natural após os trabalhos de colheita de uma safra de ciclo alto, vêm sofrendo também com as altas temperaturas médias, acima das habituais para esta época do ano, e com a baixa umidade relativa do ar. Só será possível quantificar as perdas daqui a alguns meses, após a regularização do regime de chuvas e o consequente crescimento dos frutos.

O mercado futuro de café abriu a semana em queda, mas à medida que os informes sobre as chuvas foram mostrando o volume insuficiente de água frente ao grande déficit acumulado, essas baixas foram diminuindo dia a dia e ontem as cotações do café na ICE já fecharam com pequenas altas. Hoje, com o fim das chuvas em todas as regiões produtoras, com baixo
volume de água acumulado nesses dias chuvosos, os contratos de café na ICE em Nova Iorque fecharam com boas altas. Com a alta de hoje, o balanço da semana acabou fechando no positivo, com 15 pontos de alta nos contratos com vencimento em dezembro próximo. O dólar esta semana trabalhou em forte alta frente ao real, o que impediu uma reação maior das cotações do café na ICE.

O mercado físico brasileiro trabalhou pouco e fechou a semana calmo. As ofertas subiram ontem e hoje, mas a grande maioria dos vendedores permaneceu fora do mercado, não aceitando o patamar das ofertas. As chuvas terminaram e no geral ficaram bem abaixo do mínimo necessário, deixando os cafeicultores preocupados e cautelosos.

Os armazéns cheios com a colheita desta safra, de ciclo alto, e também com a entrega antecipada de lotes vendidos na modalidade “venda para entrega futura”, que neste ano aconteceu em volume bem maior, continuam dificultando um melhor desenvolvimento dos negócios no mercado físico brasileiro.

Outro fator a ser lembrado é que cresceu bastante nos armazéns brasileiros o uso de “big bags” para manuseio e armazenagem de café (alguns não aceitam mais café na tradicional sacaria de 60 kg). Essas embalagens permitem a mecanização do transporte e manuseio do café nos armazéns. O ponto negativo é que diminuem a capacidade original de estocagem.

A situação nos armazéns deverá se normalizar até meados do próximo mês. A colheita terminou e a saída dos cafés para nossas exportações, que estão crescendo mês a mês, e para o consumo interno brasileiro, começarão a deixar espaço nos armazéns. Não se pode esquecer, que todos os meses desaparecem de nossos armazéns, entre consumo interno e exportações,
mais de cinco milhões de sacas de café.

Em algumas regiões também atrasa os trabalhos a falta de caminhões para a retirada de lotes nas fazendas. Com as boas safras e exportações de todo o agronegócio brasileiro, os caminhões são bastante disputados. Nos portos, com o excelente desempenho das exportações agrícolas e queda nas importações devido à pandemia da Covid-19, o número de containers que
chega com cargas é menor do que o necessário para embarque de mercadorias em geral. Esse quadro anormal gera algum atraso nos embarques de café.

Até dia 24, os embarques de setembro estavam em 1.418.199 sacas de café arábica, 422.576 sacas de café conillon, mais 87.344 sacas de café solúvel, totalizando 1.928.119 sacas embarcadas, contra 1.379.172 sacas no mesmo dia de agosto.

Até o mesmo dia 24, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em setembro totalizavam 3.373.789 sacas, contra 2.455.071 sacas no mesmo dia do mês anterior.

A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 18, sexta-feira, até o fechamento de hoje, dia 25, subiu nos contratos para entrega em dezembro próximo 15 pontos ou US$ 0,20 (R$ 1,11) por saca. Em reais, as cotações para entrega em dezembro próximo na ICE fecharam no dia 18 a R$ 807,29 por saca, e hoje dia 25 a R$ 834,97. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega em dezembro a bolsa de Nova Iorque fechou com alta de 250 pontos. No mercado calmo de hoje, são as seguintes cotações nominais por saca, para os cafés verdes, do tipo 6 para melhor, safra 2020/2021, condição porta de armazém:

  • R$590/620,00 – CEREJA DESCASCADO – (CD), BEM PREPARADO.
  • R$550/580,00 – FINOS A EXTRAFINOS – MOGIANA E MINAS.
  • R$520/550,00 – BOA QUALIDADE – DUROS, BEM PREPARADOS.
  • R$480/510,00 – DUROS COM XÍCARAS MAIS FRACAS.
  • R$450/480,00 – RIADOS.
  • R$380/400,00 – RIO.
  • R$400/420,00 – P. BATIDA P/O CONSUMO INT.: DURA.
  • R$390/400,00 – P. BATIDA P/O CONSUMO INT.: RIADA.
  • DÓLAR COMERCIAL DE SEXTA-FEIRA: R$ 5,5540 PARA COMPRA.
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