CONAB - Conjunturas da agropecuária - 26 a 30/10/20

MERCADO EXTERNO

Segundo dados do Sumário Executivo do Café – setembro de 2020, da SPA, a previsão de produção de café arábica no corrente ano-cafeeiro 2020/21 é de que sejam produzidas 101,8 milhões de sacas, que corresponde a um
aumento de 8,5%, se comparada com a anterior. Já a safra mundial de café robusta para o mesmo período está prevista em 74,3 milhões de sacas de 60kg, volume 1,6% maior que o da safra 2019/20.

O final do ano marca a entrada de bastante produto de países de boa produção de café arábica, como Colômbia e países da América Central. Isso é um fator de pressão de baixa sobre os preços, como se viu em outubro: o contrato com termo em dezembro acumulou queda de 5,7%, fechando a 104,60 centavos de dólar por libra-peso, contra 110,95 centavos em setembro.

A Colômbia fechou acordo comercial de preferência tarifária com o Reino Unido, onde é o terceiro maior fornecedor de café arábica e, agora, tende a aumentar o volume exportado.

Já o Vietnã, maior produtor de café robusta, está sofrendo com as grandes tempestades, que estão danificando as plantas. Isso fez com que os preços do café robusta subisse 5,05% no futuro em Londres.

A segunda onda de coronavírus, que já causou fechamentos na França, na Itália e na Inglaterra, também é um fator de baixa dos preços, por diminuição da demanda.

MERCADO INTERNO

O mercado nacional foi marcado pela cautela por parte do vendedor diante da volatilidade no dólar e pelo cenário externo, com os preços seguindo o mercado e sendo bastante afetados pela disparada do dólar, da qual se falará mais à frente.

Enquanto o mercado de arábica apresentou poucos negócios, o de conilon ganhou força com o atraso da colheita no Vietnã, com boa quantidade de negócios. Apesar disso, as exportações estão abaixo das vistas em setembro.

Como boa parte da produção já havia sido comercializada até o mês de setembro (60%), acima da média histórica de 50% de comercialização, o ritmo de crescimento da comercialização deve diminuir, visto que a tendência é de preços mais altos causados pela La Niña, como explicado
em conjunturas anteriores.

A exportação de café arábica segue batendo recordes, com o produtor aproveitando o dólar alto e a boa quantidade de estoques disponíveis para se capitalizar em um momento de bastante necessidade.

Considerando as exportações totais até o final de outubro, o acumulado de 2020 está 0,81% superior à quantidade exportada em 2019 e com o valor 1,02% superior.

DÓLAR

Dólar disparando 1,90% na semana devido ao anúncio de lockdown na França e eleição nos EUA, que fizeram com que os investidores fizessem escolhas mais cautelosas nos investimentos.

Esse aumento serviu para manter os preços de café elevados no mercado interno.

DESTAQUE DO ANALISTA

A segunda onda na Europa e a possibilidade de Biden ganhar nos EUA (o que significaria lockdown) tem grande potencial de reduzir a demanda por café. O dólar disparando, no entanto, diminui as perdas para o produtor.

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