A Revolução Digital no Agronegócio

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Se você vive em qualquer grande centro urbano do planeta, deve perceber a velocidade com que as coisas estão mudando – comportamentos, relacionamentos, comunicação, enfim, tudo, inclusive os negócios! Esse ritmo frenético que vivenciamos é resultado da aceleração tecnológica no mundo, e não vai diminuir.

Estamos testemunhando a aurora de ondas tecnológicas que devem reestruturar a humanidade e o tecido da realidade – inteligência artificial, robótica, internet das coisas, nanotecnologia, big data, blockchain e impressão 3D. Cada uma delas, no entanto, como qualquer tecnologia, tem o potencial tanto de trazer benefícios quanto malefícios para a humanidade. Por exemplo, podemos usar a inteligência artificial para melhorar a produtividade da terra, monitorar rebanhos, fazer predição de resultados no campo.

Por outro lado, essas mesmas informações e pontos de acesso podem representar vulnerabilidade de segurança para o negócio. A mesma tecnologia que impulsiona as fazendas para ampliar a sua produção também permite o desenvolvimento de agricultura vertical em cidades, reformulando a cadeia produtiva e criando novos modelos de concorrência.

Portanto, a tecnologia nunca é neutra e precisamos de lucidez, sempre, para conseguir enxergar sem paixões os impactos tecnológicos na vida humana, de forma a nos tornarmos senhores do nosso destino e não vítimas. Esse exercício de pensar criticamente sempre foi importante, pois a história nos mostra que aqueles que foram visionários em relação a tecnologias emergentes dominaram (e ainda dominam) o mundo. Se isso tem se provado verdadeiro até agora, em que as tecnologias eram mais simples e menos potentes, imagine o poder que adquire quem entende e usa as tecnologias dessas ondas emergentes cujo potencial de impacto é exponencialmente maior?

Nesse sentido, quando pensamos na produção de alimentos e nas várias dimensões do agronegócio, as tecnologias têm permitido que driblemos as limitações da natureza, nos dando poder sobre ela. Ao longo da história da humanidade, a tecnologia tem auxiliado tanto na melhoria da utilização de recursos, permitindo automatizar e aumentar a precisão da produção, quanto revolucionado as possibilidades de conservação de alimentos, ampliando a capacidade de armazenamento e alcance logístico de distribuição. E a revolução digital que vivemos? Quais são os principais impactos no agronegócio? Vejamos alguns deles:

1) IoT – Internet of Things – Internet das Coisas é como se captura os dados de tudo (objetos, pessoas, animais, entre outros), trazendo informações inéditas em tempo real sobre o estado da fazenda em uma infinidade de pontos de coleta de dados (temperatura e umidade do solo, localização de animais etc.), que alimenta e cria o big data. IoT é o motor por trás de tudo o que é “smart”: smart health, smart hospitals, smart objects, smart cities, smart farms! IoT é o que estrutura a Fazenda 4.0, ou Farm 4.0, em outras palavras, a indústria 4.0 no campo.

2) Big Data – o volume gigantesco de dados produzido por IoT e sensores de todos os tipos (como os nossos celulares), disponível para todos por meio dos sistemas digitais (como Google, mídias sociais, feeds de notícias etc) permite um acesso à informação, de forma inédita na história da humanidade, tanto para fazendeiros quanto para a indústria de alimentos e pesquisadores. Dados são a base para a obtenção de inteligência no negócio, e big data aplicado nas fazendas é a base da Precision Farm, ou Agronegócios de Precisão.

3) Inteligência Artificial – de nada adiantaria uma infinidade de dados sem processamento para extrair valor, inteligência. O cérebro humano tem capacidade limitada de processamento de dados, que tem sido complementada e ampliada de forma espetacular pelos sistemas emergentes de IA. Uma das aplicações mais populares que ilustram o uso de IA no agronegócio é o caso dos chatbots inteligentes que funcionam como assistentes para o fazendeiro, fornecendo informações e recomendações em tempo real para a tomada de decisão no campo. No entanto, as aplicações de IA na área vão muito além disso, permitindo controle e automação de tratores, plantações, análise e predição de pragas etc.

4) Robótica – se a inteligência artificial é o cérebro por trás dos dados, a robótica é o corpo físico que se manifesta para atuar no mundo. Por exemplo, por meio da robótica, ordenhadoras inteligentes automatizam a produção de leite, drones monitoram e fazem entregas de suprimentos, robôs autônomos preparam e organizam distribuição de ração para animais, entre outras inúmeras atividades.

5) Nanotecnologia – uma das limitações em seres vivos é conseguir conexão entre elementos artificiais e suas células. A evolução da nanotecnologia traz possibilidades inimagináveis de integração de animais e vegetais com aparatos tecnológico. Isso traz tanto o potencial de solucionar inúmeras doenças e melhorar consideravelmente a vida e produção no planeta quanto tem potencial também para causar uma catástrofe ecológica.

6) Impressão 3D – com a evolução e barateamento das impressoras 3D, toda a cadeia de criação e distribuição de objetos físicos se transforma. Hoje as impressoras desenvolvem casas, órgãos humanos artificiais, baterias e também alimentos – isso tem um impacto profundo em todo o sistema de produção e obtenção de recursos, bem como na cadeia de distribuição e na demanda de mercado, entre outros fatores.

7) Blockchain – toda atividade que gera um registro de transação tende a ser impactada por blockchain. Hoje, o “filho” mais famoso dessa tecnologia é o Bitcoin, que torna possíveis as transações descentralizadas de criptomoedas. No entanto, blockchain pode ser usado como motor para microcontratos, transações de compra, venda etc, cujos dados, quando processados por meio de inteligência artificial, trazem o potencial de tornar tudo em smart e transparente (dificulta corrupção, desvios, adulterações). Uma revolução na confiança, que passa a ser distribuída e tende a transformar todos os tipos de relações.

Essas ondas de impactos tecnológicos, associadas a inúmeras outras tecnologias e metodologias emergentes, já estão em nosso mar e crescendo em ritmo acelerado no oceano que nos cerca. Se isso se tornará uma onda incrível para surfarmos e chegarmos mais longe ou se será um tsunami que pode nos esmagar, depende principalmente de nós mesmos – de como nos preparamos, usamos e atuamos nesse cenário que tem desbloqueado poderes sem precedentes na nossa história. E você? Está preparado?

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