Mercado favorável

Cenário positivo coloca Brasil no caminho do crescimento

O economista José Roberto Mendonça de Barros apresenta a palestra
“Cenário Político, Econômico e Perspectivas”

Depois de um período de turbulência, com uma das mais graves recessões da história nacional, a calmaria começa a entrar no campo de visão do brasileiro. Há ainda incertezas políticas, mas o contexto indica que a recuperação é uma realidade e que o país tem grandes chances de recuperar sua capacidade de crescimento sustentável e começar a crescer dessa forma. O cenário foi apresentado pelo economista José Roberto Mendonça de Barros, da consultoria MB Associados, que abriu os trabalhos no segundo dia de atividades do 25º Encafé.

Apesar da recessão, da crise política e das incertezas por ela geradas, o crescimento é uma realidade e não há nenhum fator externo, advindo do setor internacional que possa colocar esse movimento em risco, indicou o economista numa fala bastante positiva sobre o momento brasileiro. “Estamos numa recuperação muito robusta. A perspectiva é de um crescimento de 1% este ano. Para o próximo, a previsão varia entre 3% e 3,5%”.

Na sua avaliação, a produção agrícola tem importância fundamental nessa recuperação, iniciada, segundo ele, a partir da safra recorde 2016/17. A produção de petróleo e os bons resultados da exportação também foram importantes para alavancar a retomada. O economista destaca que um crescimento vigoroso dependerá fortemente da melhoria do consumo e dá um recado ao setor: “no final de uma recessão, a diversidade é a regra”.

Mendonça de Barros sustenta sua previsão otimista com diversos números positivos, entre os quais o do consumo das famílias, que vem acompanhando o movimento do PIB. Ambos tiveram seu menor índice em 2015. Segundo ele, o consumo melhorou em função da safra agrícola muito boa, uma vez que houve um impacto sobre o valor dos alimentos com um barateamento para o consumidor. O resultado foi um aumento de 2,50% no salário real com consequente elevação do poder de compra das famílias. O nível de comprometimento de renda caiu de 41% para 20,8% entre agosto de 2014 e o mesmo mês em 2017, de acordo com dados do Banco Central.

A inadimplência está menor e, com isso, a oferta de crédito vem aumentando para as famílias. A prova está na recuperação de setores do varejo com forte dependência do crédito, como o automobilístico. As vendas estão em curva ascendente. Outro item que corrobora a visão positiva de Mendonça de Barros é a queda no nível de desemprego, que saiu de 13,7% no primeiro trimestre de 2017 para 12,4% no terceiro trimestre. E a expectativa é que o número de gente empregada formalmente siga subindo.

O cenário positivo apresentado pelo economista inclui ainda o movimento de queda dos juros – o BC já anunciou taxa Selic de 7%, que poderá chegar a 6% – e a forte presença do dólar. A balança comercial positiva, com a entrada de dólares fechando o ano com uma soma de US$ 71 bilhões também trazem solidez ao setor de vendas. “É muito dinheiro. O setor externo está bastante sólido. Nunca tivemos uma posição de dólar tão grande. Todas as crises econômicas no Brasil nasceram por conta da escassez do dólar”, Brasil nasceram por conta da escassez do dólar”, destaca, ressaltando em seguida que o Brasil está com certa sobra da moeda norte-americana.

No que se refere à inflação, ela está em queda e deve seguir em baixa até 2019. “A expectativa é de que fique inferior a 5% até lá. Isso porque não há choque cambial, de petróleo, de oferta agrícola, tampouco de energia elétrica. Por isso deve seguir baixa”. Outro item citado pelo especialista para manter a inflação em níveis baixos, se refere aos dissídios dos trabalhadores. Como exemplo, ele cita os aumentos de duas importantes classes, a da construção civil, cujo dissídio ficou em 2%, e o dos bancários de São Paulo, com alta de 2,6% no salário. Esses percentuais reduzidos impedem que a inflação seja realimentada.

Para Mendonça de Barros, um aspecto novo e muito interessante nesse processo de alavancagem da recuperação é a forte expansão de novas empresas de base tecnológica (startups). “Elas não dependem do governo, são criadas por gente que estudou no exterior, que tem outra cabeça e estão crescendo em todas as áreas. Elas não têm poder para mover o PIB, mas são fundamentais porque trazem um outro jeito de negociar”. Nesse sentido, ele cita o Uber e a revolução que causou no transporte.

Participantes fazem perguntas ao economista

Seguro de que a recuperação é uma realidade e está em andamento, o economista questionou se a mesma se sustentará ou será apenas um vôo da galinha. Para ele, a consolidação desse movimento depende de avanços na reforma da previdência e no controle dos salários do setor público. Ele também destaca ser indispensável melhorias na parte fiscal, sem elevação de impostos, e o avanço do programa de privatização, que pode levar a um aumento de investimento em infraestrutura. “Mesmo com o atraso das reformas, se o presidente eleito em 2018 for reformista podemos entrar em um período de crescimento sustentado”.

Dagmar Oswaldo Cupaiolo entrega um brinde comemorativo ao 25º Encafé ao palestrante Mendonça de Barros
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