Uma injeção de positividade

Aula de otimismo diante das adversidades da vida é dada por Geraldo Rufino no encerramento do Encafé 2017

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13/01/2019
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Geraldo Rufino parece um daqueles personagens tirado dos filmes mais emocionantes de Hollywood. Com um sorriso no rosto, vai enumerando as vezes em que faliu empresas na vida. E consegue perder as contas – sempre superando as adversidades e retomando seu caminho. Antes mesmo de começar sua palestra, em um vídeo de abertura, informava cinco falências. Mas ao pisar no palco, rindo à toa, Geraldo se lembrou de mais uma. “Pensando bem teve mais uma, a primeira vez que quebrei foi justamente com café, quando veio uma geada e acabou com uma plantação que mantinha ainda criança com meu pai no quintal de casa.”

Entre risos e histórias variadas, Geraldo foi relembrando suas histórias que poderiam levar ao choro, mas que arrancaram gargalhadas dos participantes. Ainda criança, após perder a mãe aos sete anos, largou a escola e foi buscar “tesouros“ no lixão. Com seu garfo, encontrava de um tudo e comemorava cada descoberta: comida que o alimentava, ferro que trocava por dinheiro e muitos outros itens que eram motivo de alegria e que contribuíam para a renda da família.

Desde muito cedo aprendeu com a mãe a agradecer, ainda que pelo simples fato de ter o sol a entrar pela janela. “Minha mãe foi minha coach, apesar de ter falecido cedo, me ensinou tudo o que eu precisava saber para viver e me tornou uma pessoa mais forte. Ao acordar, tenho que colocar os joelhos no chão e agradecer à vida, ao sol e à oportunidade de um novo dia. Quer motivo melhor pra ser feliz todos os dias?”, provocou a plateia.

E foi assim, agradecendo todos os dias, que Geraldo foi juntando moedas e conseguiu comprar seu primeiro carro, um Fusca, depois uma Kombi, e que iniciou seu trabalho no famoso e já falido parque de diversões Playcenter, onde, aos 13 anos, começou como motoboy. De moeda em moeda trocou a Kombi por um caminhão, que logo virou dois em uma empresa em sociedade com o irmão. “Até que teve um acidente que destruiu os dois, que obviamente não tinham seguro. Ao buscar por opções que minimizassem o prejuízo, me deparei com o universo da reciclagem de autopeças e encontrei aí um novo caminho a seguir”, recorda.

E assim foi fundada a JR Diesel, hoje uma das maiores vendedoras de peças automotivas recicladas da América Latina. Em um ponto alto de sua vida, Geraldo fez negócio com investidores americanos e, mais uma vez, enfrentou grandes dificuldades. “Quebrei de novo, e, mais uma vez, fui à luta e reconstruí minha empresa, meu sonho. Porque sempre tive clara a ideia de que a gente não conquista clientes, a gente conquista pessoas, e que não devemos terceirizar nossos problemas botando a culpa na economia, no governo ou no que quer que seja, pois nós somos as escolhas que fazemos, somos donos das nossas próprias vidas. Se tropeço e caio, tenho que levantar. E levanto e sigo”, deu o recado.

Hoje, a JR Diesel reconquistou seu espaço voltando a crescer e sendo respeitada pelo trabalho que faz, quebrando o estigma de “desmanche” e servindo como exemplo para o setor – que coloca de volta ao mercado peças de veículos (principalmente caminhões) seminovas, permitindo não somente um custo melhor aos que buscam seus itens, mas um ciclo mais verde às autopeças. “Hoje, somos respeitados não somente no Brasil, mas na América Latina”, comentou.

Geraldo Rufino encerrou a fase de palestras, emocionando a uma plateia lotada, com sua história de superação e renovação

Rufino finalizou sua palestra com uma mensagem clara. “Seus coaches de vida são seus pais, que te passam o bem mais valioso que vocês têm: seus valores, algo que ninguém tira de vocês. Então vão à luta, porque ninguém para de comer, ninguém para de dormir, ninguém para de viver e, principalmente, ninguém para de tomar café – passemos pela crise que tivermos que passar. Então, vamos à luta!”

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