CONAB - Conjunturas da agropecuária - 28/09 a 02/10/20

Conquista3
06/10/2020
Publicado em

MERCADO EXTERNO 

Nova grande queda de preços de café nos mercados futuros de café de Nova Iorque e Londres, em especial na sexta-feira. A diminuição das exportações globais, sinalizando uma menor demanda, e a previsão de chuvas nas regiões produtoras de Minas Gerais foram os principais causadores desse movimento de baixa. Outro fator importante é a desvalorização do real frente ao dólar, pois barateia no mercado internacional o café do Brasil, que é o principal produtor mundial.

Apesar de a produção da safra 2019/20 (outubro-setembro) ter sido baixa, também recuou o consumo como efeito das  políticas de isolamento social para contenção do  coronavírus e os estoques cresceram 1,5 milhão de sacas.  Logo após isso, a produção brasileira veio alta e forçou  bastante os preços para baixo.

A safra dos cafés da América Central e Colômbia também  está entrando no mercado e isso faz com que o momento  seja de queda, com suportes sendo rompidos  constantemente na ICE NY. Assim, o contrato do arábica  para dezembro fechou em queda de 3,51, cotado a 107,05  cents/lb. 

Em Londres, o preço seguiu a queda de Nova Iorque, com  contratos para novembro fechando em queda de 1,30%,  negociados a US$ 1.288/ton. 

MERCADO INTERNO 

Nem a alta do dólar segurou o preço interno do café  arábica: apesar de alta durante a semana, que fez com a  média semanal fosse maior que o preço de fechamento da  sexta-feira, a baixa fez com que o mercado acabasse  segurando o café e não o vendendo. 

Já o café conilon apresentou leve alta durante a semana,  mas terminou a sexta-feira praticamente no mesmo patamar da segunda-feira. 

Vale ressaltar que as perdas de café para a próxima safra  são realidade, e que, no momento, após a florada, o tempo  está quente e seco e a tendência é de um fenômeno do tipo La Niña, que diminui as chuvas no centro-sul do Brasil,  afetando importantes áreas de produção de café. 

Os dados de exportação para o mês de setembro somaram  US$ 434.748.900 para café não torrado e US$ 41.969.500  para café torrado. Tanto a quantidade (18,01%) quanto o valor  (13,44%) foram superiores ao mesmo período em 2019 para o  café verde. 

Nos dois primeiros dias de outubro, as exportações seguem  em alta. Apesar da comparação ser meio fraca, os dois  primeiros dias de outubro tem exportação 48,32% superiores  ao mesmo período de setembro. 

DÓLAR 

Temos dois elementos externos fortes que consolidaram a  fuga e, por consequência, valorização do dólar perante o real:  eleições americanas e a segunda onda de Covid-19 na  Europa. No plano interno, as taxas de juros baixas e o temor  de que o déficit persista mais que o esperado também  ajudaram na valorização da moeda americana, que fechou a  semana cotada em R$5,66. 

DESTAQUE DO ANALISTA 

O momento é de perdas para muitos ativos e para o café não  foi diferente. Assim, as perdas não se deram apenas por  questões de oferta e demanda de produto físico, mas também  por outras questões financeiras de reajuste de posições e  gestão de risco.  

Compartilhar: