Otimista ou pessimista: como você olha para o Brasil?

No 27º Encafé, economista Mendonça de Barros defende uma perspectiva positiva de crescimento sustentável do País, ainda que de maneira lenta

José Roberto Mendonça de Barros durante o 27º Encafé
(foto Everton Góes)

Contribuindo novamente com o ciclo de palestras do Encafé, o economista José Roberto Mendonça de Barros, da MB Associados, abriu a programação de palestras do 27ª edição do evento, realizada entre 6 e 10 de novembro de 2019, na Ilha de Comandatuba, em Una, Bahia. Dividindo o público e as expectativas em torno do País no momento em otimistas e pessimistas, Barros apontou que a perspectiva é de que o País poderá sim retomar o crescimento econômico sustentável, ainda que com certa lentidão.

E para que isso aconteça, o economista acredita que são necessários alguns pilares fundamentais para essa alavancada. Entre elas a questão da Reforma da Previdência, finalizada no Congresso. “É preciso resolver minimamente essa questão fiscal. Se isso não reverter, não baixamos os juros nem as expectativas”, explica o economista.

Outras reformas nas regras orçamentárias também podem reduzir as despesas compulsórias, considerando que mais de 90% das despesas são dessa natureza, em especial a PEC emergencial como mais relevante.

É preciso também mudar as leis de infraestrutura do Brasil, principalmente nos setores de Telecomunicação, Gás e Petróleo, Abastecimento de Água e Esgoto. Com essas reformas concretizadas, Mendonça acredita que os investimentos também passem a melhorar por meio de concessões e privatizações – reaquecendo a economia por meio da Construção Civil e consequente geração de empregos.

Outro ponto fundamental na opinião do economista para uma possível retomada de crescimento econômico do Brasil é a redução no custo do crédito, como resultado da baixa inflação das regulações do Banco Central e dos efeitos das Fintechs, o que traz mais crédito ao setor privado.

“São pontos que podem contribuir para que o Brasil melhore a sua performance fiscal e aumente o investimento em infraestrutura, bem como forneça mais crédito ao setor privado, o que consequentemente favorece o crescimento econômico de forma maior e, principalmente, mais sustentável. A projeção de crescimento do PIB reflete esta hipótese para os próximos anos.”, reforça.

O contraponto deste cenário são os riscos que podem surgir com uma crise externa, conflitos políticos atrasando a agenda legislativa e elevação da incerteza. “A economia global está desacelerando. A projeção de crescimento que era de 3,6 está em 3, e os riscos estão subindo. O maior problema de todos eles é a política externa do Trump. Por ser muito agressiva, gera insegurança global, causando uma redução dos investimentos e, consequentemente, uma desaceleração econômica”.

Pessimista ou otimista?

(foto Everton Góes)

O mundo se divide entre pessimistas e otimistas. Os otimistas dizem que os americanos estão crescendo há 10 anos e que o Banco Central americano está baixando os juros e o mercado está crescendo. Os pessimistas enxergam como verdade que está crescendo sim, mas que isso não significa que esse crescimento irá perdurar. Além disso, a inflação pode até estar baixa neste momento, mas será que irá continuar? A economia americana está crescendo, mas se der uma “balançada” podemos ter uma desalavancada grande.

“Vivemos um cenário internacional de riscos maiores, muito tumultuado, muito incerto e que não é bom para ninguém. Duas observações importantes são o agronegócio na China, em que o Brasil deve e precisa melhorar o relacionamento com os chineses. E a segunda consideração é que o efeito negativo disso pode ser grande”, afirma José Roberto.

Ele traz números de automóveis, por exemplo, em que a estimativa é que, em 2019, cerca de 350 mil carros devem deixar o mercado brasileiro para seguir para a Argentina. “A integração disso é que, se o Brasil retomar o crescimento, isso se dará pela força do nosso mercado interno.”

José Roberto Mendonça de Barros traz como reflexão também o cenário recessivo em que o País vive e que nunca antes na história durou tanto tempo. “Nunca vivenciamos uma saída de recessão tão lenta quanto a atual. São três anos e ainda não saímos. A saída quando acontece é em flash e vem o desemprego, mas depois a indústria é capaz de crescer e isso não tem acontecido ainda”, destaca.

Mercado externo

Os Estados Unidos e a China estão tentando um acordo e essa disputa entre potências é clássica, uma que domina o mundo e outra preocupada com o modo que está crescendo. “Ainda que essa possibilidade seja um acordo temporário, o posicionamento do Brasil é o que acontece com o nosso setor agropecuário. Está cada vez mais claro que os chineses estão transferindo para o Brasil a percepção de que aqui será a fonte fundamental da exportação de alimentos para ele”, explica Mendonça.

Para o economista, essa disputa comercial agressiva foi vista como uma quebra de contrato e a importação é delicadíssima em uma convenção política. Os chineses já integravam a cartela de clientes e resolveram ampliar as suas compras – neste sentido, a saga da soja é um exemplo.

Adicional a isso, o Brasil tem uma vantagem pois a China consome e produz mais da metade da carne do mundo. Haverá busca por outros substitutos com a questão da gripe suína. “Ainda é preciso lembrar que esse ano tem sido muito cruel com a agricultura americana, a primavera foi muito molhada por um fenômeno natural, o frio chegou mais cedo, pegou metade da safra, tem um aspecto circunstancial que irá levar o Brasil a um nível maior de exportação”, complementou.

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