Consumo de Café: Brasil e mundo

Guilherme Morya, do Rabobank, aborda consumo fora do lar, em cápsulas, torrado e moído e como o consumidor no Brasil e no mundo têm se comportado

Abrindo o segundo dia de palestras do 27º Encafé, o Guilherme Morya, do Rabobank, abordou as ondas de consumo de café por parte do consumidor e trouxe aos participantes dados que justificam o porquê do aumento do consumo de café no Brasil e no mundo.

Guilherme Morya, Rabobank, durante o 27º Encafé (foto Everton Góes)

Na mesma velocidade que as ondas de consumo no lar, que é uma tradição, enraizado em algumas famílias, a onda de consumo fora do lar tem crescido em especial nas novas formas de consumo e na forma do consumidor se conectar com o ponto de café, com a cafeteria.

“Novas tendências estão surgindo no universo do café. Muitos consumidores estrangeiros, por exemplo, tem essa pressa de pegar o café e sair, da agilidade, da praticidade e com isso surgem as novas formas de consumo, seja o café com gás, os cafés enlatados, os proteinados, entre outros”, explica Morya.

A conexão entre consumidor e vendedor de café, via cafeteria ou mesmo via produtor, é cada vez maior. As pessoas têm buscado entender, conhecer e participar do momento do café, do processo, apreciando as etapas.

“Os smartphones com certeza contribuíram muito para a evolução dessa linha de consumo. O modo como pedimos café hoje pode ser com um simples toque no telefone. O consumidor está cada vez mais conectado e ligado ao consumo”, afirma.

A evolução do Consumo de Café

Gráfico extraído da apresentação do Guilherme Morya – Créditos Rabobank

Para Guilherme Morya, do Rabobank, é natural a estabilização depois de um índice de consumo crescente. Ainda assim, a expectativa é de que 4 milhões de sacas a mais sejam acrescentadas para o consumo. E para 2024, a expectativa é que esse volume chegue a 190 milhões de sacas.

“O que percebemos é que a taxa de crescimento recuou sim, mas que em volume o aumento é muito alto. E o valor de mercado do café segue crescendo e a tendência é que cresça cada vez mais. E isso é muito positivo, agrega valor ao produto. A previsão é de que a taxa de crescimento seja de 5.7% e que em volume cresça 2.3%”, afirma Morya.

Onde o consumo está crescendo?

Alguns países têm surpreendido. O consumo de café cresceu no Oriente médio na Ásia e na África. “A menina dos olhos, a Ásia, tem a presença forte do Japão e da Coreia do Sul (num movimento surpreendente de abertura de coffee shops) e da China. É impressionante o que a China vem desenvolvendo em especial para o consumo fora do lar”, destaca. 

Já na questão do volume de consumo/importação é grande e o Brasil é extremamente importante no incremento do consumo do café. “Claro, não se resume ao Brasil pois temos outras regiões que estão despertando para o consumo do café. A Colômbia, por exemplo, está mudando o estigma de países produtores de cafés especiais.

Tipos de cafés consumidos

Guilherme Morya trouxe números que reforçam a forte presença e crescimento do consumo das monodoses, cápsulas. E esse crescimento se estende também na questão de valor de produto, pois a estimativa é que são as cápsulas as que mais crescerão.

“Diante disso, temos também o café solúvel, que surpreende. Antes a bebida lutava com o chá preto para ficar em segundo lugar. Agora, está próximo ao café em cápsula. A expectativa é que as cápsulas cheguem a 8 bi no próximos anos e o solúvel está logo atrás, com estimativa de 7.8 bi (ambos para o período 2019-2024). Ou seja, as inúmeras inovações na área de solúvel e com muitas regiões aprendendo a beber o solúvel de um modo prático e prazeroso contribuem com esses novos números”, aponta Morya.  

De todas as bebidas quentes, o café aparece três vezes nas quatro primeiras posições. O primeiro é o consum em cápsulas, seguido do solúvel, depois o chá preto e o Torrado & Moído.  

China, no caminho de se tornar um grande consumidor

Se avaliar o consumo per capita da China, parece insignificante. Afinal, o chinês consome por ano 13 xicaras da bebida. Mas, ao todo, com a alta população do país, o consumo é de 3 bilhões de xícaras.  

“É um país que merece atenção, pois bastará um pequeno incremento no consumo da China provocará um grande impacto no mercado de café, em função da alta população”, reforça Morya.

Ambiente descontraído para que os participantes pudessem tirar as suas dúvidas com o Guilherme Morya, do Rabobank (foto Everton Góes)

Guilherme explica que o movimento de consumo fora de lar está muito grande na China. E que isso tem contribuído para o alto investimento das como Starbucks, Costa Coffee, Luckin Coffee e Pacific Coffee. “É tão rápido e robusto, que a projeção para 2022 é de 6 mil lojas da Luckin Coffee, 1200 lojas da Costa, 6 mil lojas Starbuck e 500 da Pacific Coffee.

No Brasil, para efeito comparativo, o consumo é de 20 milhões e a Starbucks com 120 lojas no País. “Se por um lado a Ásia acrescenta muito ao aumento de consumo, a América Latina também. Destacando o Brasil em especial, porque vemos esse incremento em termos de valor e éporque o jovem procura coisas diferentes, inovadoras. Se ele acha que o preço vale, ele compra. Se acredita que é um produto diferente”, explica Morya.

Especialistas ou não, o aumento do café é contínuo!

Guilherme Morya trouxe dados que mostram que muitas empresas no mundo todo seguem investindo na oferta de café aos consumidores, ainda que a bebida não seja o principal produto de seu estabelecimento. É o caso de lojas como Kopenhagen, Cacau Show, Brasil Cacau, entre outras, que tem o chocolate como produto principal e o café como acompanhamento de seus produtos. “Isso favorece o aumento do consumo fora do lar, com as cafeterias não especializadas. Por exemplo, a Kopenhagen abriu uma rede chamada Kop Coffee e expandiu seus pontos. O foco não é o café, mas vende café”, afirma. Os pontos de café especialistas, que dependem unicamente do café, não têm expandido na mesma proporção.

Mercado

Com os preços em queda desde 2017, Guilherme Morya acredita que mesmo um ano que deveria ser baixo, foi muito positivo para o Brasil. “Esse ano colhemos aproximadamente 57 milhões de sacas. Em especial pelo conilon, na região de Rondônia e Espírito Santo, com um índice muito positivo de produtividade. Acredito que o conilon tenha compensado a queda de produção do Arabica”, explica.

Para ele, esse efeito de superprodução no Brasil teve impacto nas exportações. E as exportações brasileiras seguem à todo vapor. “Batemos recorde atrás de recorde, nos últimos dez anos. O Brasil veio de dois anos muito bons. Posso dizer que nunca se exportou tanto e o Brasil nunca teve tanta participação nisso”, afirma.

Ele conclui que se o País seguir nesse atual ritmo, facilmente chegaremos às 40 milhões de sacas, o que é mais um recorde para o Brasil.

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